COVID-19

A COVID-19 é uma doença infecciosa viral, sistêmica, inflamatória que compromete vários órgãos e, é trombosante; afeta de modo importante o sistema respiratório causando uma pneumonia intersticial e levar a Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo, altamente letal; outros órgãos também podem ser acometidos, entre eles coração, vasos sanguíneos, rins, bem como o sistema nervoso, sistema músculo-esquelético e sistema digestório.
Apesar de ser uma doença sem tratamento específico, a literatura já é robusta quanto às recomendações de manejo dos doentes na fase aguda; entretanto, os desfechos a médio e longo prazo são ainda desconhecidos. Pode-se supor, que a maioria dos indivíduos acometidos não apresentará sequelas e terá recuperação completa; entretanto, uma minoria que tenha tido uma evolução clínica mais grave irá vivenciar recuperação incompleta e sequelas, que poderão comprometer sua sobrevivência e qualidade de vida.
O acometimento pulmonar, comprometimento intersticial e fibrose pulmonar, foi identificado em 45% dos pacientes após um mês do início da doença e em 30% deles após três e seis meses de evolução. A doença intersticial evolui com redução da capacidade ventilatória, déficit na troca gasosa e um limiar prematuro de lactato, responsável por desconforto muscular, fadiga e dispneia. A hipertensão pulmonar também pode estar presente, agravando a oxigenação tecidual.
A COVID-19, à semelhança de outras doenças virais, está também associada a complicações cardíacas, em particular arritmias e lesão miocárdica. Essas complicações são multifatoriais e podem resultar em lesão viral do miocárdio, hipóxia, regulação negativa do receptor ACE2, hipotensão, carga inflamatória sistêmica elevada e toxicidade medicamentosa. Supõe-se que os mediadores pró-inflamatórios implicados na COVID-19 desempenhem um papel importante, resultando em inflamação vascular, miocardite e complicações arrítmicas. A lesão cardíaca aguda, determinada por biomarcadores cardíacos elevados, foi descrita como mais elevada nos pacientes com doença grave e naqueles que requerem suporte ventilatório. O maior risco de mortalidade foi identificado em pessoas do sexo masculino, idade avançada e outras comorbidades, incluindo hipertensão, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares e doenças cerebrovasculares. pré-existentes, gravidade e curso geral da doença aguda e tempo desde o diagnóstico original. Sequelas cardíacas devem ser consideradas em todos os pacientes pós-COVID-19, independentemente da gravidade.
O desafio é determinar medidas que possam prevenir ou minimizar a ocorrência destas sequelas e propor meios terapêuticos que melhorem tais desfechos.
Avaliações das funções pulmonar e cardiocirculatória, já no momento do diagnóstico (pré-existentes ou subclínicas), são fundamentais para o conhecimento e seguimento clínico e terapêutico dos doentes. Durante a internação, no momento da alta hospitalar de casos graves e no pós-COVID19, recomenda-se a aplicação de um protocolo inicial de avaliação e seguimento, considerando exames de imagem, marcadores de processo inflamatório e avaliação das funções pulmonar e cardiocirculatória.
Um programa reabilitação em pacientes no pós-COVID-19; seja para a melhora dos sintomas de dispnéia e fadiga, redução da ansiedade e complicações da internação, promoção do ganho de força muscular, minimização da perda de independência e preservação das funções vitais, resultando em melhora da qualidade de vida.