Hiperidrose

A transpiração excessiva ou hiperidrose é uma condição anormal de hiperatividade do sistema nervoso simpático, o que estimula as glândulas sudoríparas de determinadas regiões do corpo a produzir transpiração excessiva. O sistema nervoso simpático torácico é quem controla a transpiração nas mãos, axilas e pés.

A hiperidrose pode ser primária ou secundária.  A hiperidrose primária não tem causa conhecida e pode ser desencadeada por estresse emocional, alimentos apimentados, climas quentes e alguns medicamentos. Já a hiperidrose secundária é causada por uma condição pré-existente de saúde como menopausa, febre, infecção, câncer, doença da tireóide, de Parkinson, diabetes, obesidade e tuberculose.

 

Sintomas

A hiperidrose é mais freqüente na palma das mãos, nas axilas, na face e na planta dos pés e menos comum no tronco e no couro cabeludo, com diferentes combinações de severidade e localização.

 

Diagnóstico

A doença pode ser identificada quando a sudorese não está relacionada exclusivamente com o calor ou o estresse, mas ocorre inesperadamente e sem razão aparente.

 

Tratamento clínico

  • antiperspirantes e adstringentes podem ser aplicados nas mãos e axilas, em casos leves;
  • drogas anticolinérgicas e ansiolíticas são indicadas em casos mais graves, mas podem apresentar efeitos colaterais desagradáveis (boca seca, confusão mental etc.), o que impossibilita seu uso por muito tempo;
  • injeções locais de toxina botulínica (Botox) podem ser usadas em áreas de pequena extensão, mas têm efeito transitório, de 4 a 6 meses;
  • iontoforese eletrônica: tratamento diário e prolongado, mas com resultados insatisfatórios e temporários;
  • uso tópico de fórmulas com drogas anidróticas também apresenta resultados insatisfatórios;
  • tratamentos homeopáticos, ortomoleculares ou alternativos são considerados ineficazes;
  • tratamentos psicológicos e psicoterápicos podem auxiliar, porém são paliativos.

 

Tratamento cirúrgico

A interrupção cirúrgica do estímulo nervoso do tronco simpático torácico para as glândulas sudoríparas, na imensa maioria dos casos faz reduzir drasticamente a sudorese excessiva nas mãos, reduz significativamente nas axilas e pode diminuir a dos pés. Essa operação, chamada de simpatectomia, tem sido realizada pioneiramente por nós, por videocirurgia torácica, desde 1991, inovando o tratamento da hiperidrose. A operação, realizada sob anestesia geral, dura cerca de 30 minutos e só requer uma ou duas incisões de cinco milímetros na região axilar em cada lado do tórax. O doente permanece em observação no hospital por 12 horas sendo a recuperação e o retorno às atividades rápidos. Os resultados clínicos são imediatos e definitivos (de 85% a 95% de bons e ótimos resultados), mas podem ser observados efeitos colaterais, como o aumento da transpiração em outros locais do corpo (hiperidrose compensatória), ocorrendo geralmente em pequena intensidade no dorso, abdome e coxas. Como a transpiração corporal tem a função de regular a temperatura, esse efeito é considerado uma resposta termorreguladora reflexa do organismo. Outros efeitos colaterais observados são: dor torácica pós-operatória de pequena intensidade; um pequeno pneumotórax pós-operatório é freqüente, sem valor clínico na maioria das vezes e que se resolve espontaneamente; hemotórax, lesão pulmonar, do plexo braquial, infecção e Síndrome de Horner (complicação relacionada à lesão do gânglio estrelado) são complicações de muito baixa incidência.