Câncer de Pulmão

Câncer de Pulmão

Todos os tipos de câncer podem se desenvolver em nossas células, as unidades básicas da vida. E para entender o câncer, precisamos saber como as células normais tornam-se cancerosas. O corpo é feito por muitos tipos diferentes de células e normalmente elas crescem, se dividem e morrem para manter o corpo saudável e funcionando adequadamente. Algumas vezes, entretanto, células anormais surgem e crescem. Essas novas células extras, podem formar uma massa tumoral benigna ou maligna.

Tumores benignos não são cânceres. Eles frequentemente podem ser removidos e, na maioria dos casos, não se espalham para outras partes do corpo. Mais importante, os tumores benignos não encurtam a vida, na grande maioria dos casos.

Tumores malignos são cânceres. As células dos tumores malignos são anormais e dividem-se mais rapidamente. Estas células cancerosas podem invadir e destruir os tecidos normais de seu entorno. As células cancerosas podem entrar na corrente sanguínea ou no sistema linfático (os tecidos e canais que carregam as células brancas que lutam contra infecções e outras doenças). Isto resulta na disseminação do tumor do local original (primário) para formar novos tumores em vários outros órgãos (metástases).

Os cânceres que se originam nos pulmões são divididos em dois tipos principais, o câncer de pulmão de células não-pequenas e o câncer de pulmão de células pequenas, dependendo de como as células são vistas ao microscópio. Cada tipo de câncer de pulmão cresce e se espalha de maneiras diferentes e é tratado diferentemente.

O câncer de pulmão de células não-pequenas é mais comum e geralmente cresce e se espalha mais lentamente. Existem três tipos principais de câncer de pulmão de células não-pequenas. Eles são chamados pelo tipo de célula na qual o câncer se desenvolve: carcinoma de células escamosas (também chamado de carcinoma epidermóide), adenocarcinoma e carcinoma de grandes células.
O carcinoma broncogenico de células pequenas é menos comum; este tipo de câncer de pulmão cresce mais rapidamente e se espalha mais facilmente para outros órgãos do corpo.

A probabilidade de um fumante desenvolver câncer depende da idade na qual começou a fumar, do tempo que vem fumando, do número de cigarros fumados por dia e quão profundamente inala a fumaça do cigarro. Parar de fumar reduz grandemente o risco de uma pessoa desenvolver câncer de pulmão. A chance de desenvolver câncer de pulmão é aumentada pela exposição à fumaça do tabaco no ambiente, o que é chamado de fumo passivo.

Partículas inaladas suspensas no ar ou gases como asbesto e radônio, são fatores de risco para desenvolvimento de câncer de pulmão, risco esse que aumenta ainda mais nos trabalhadores que fumam. Doenças pulmonares como a tuberculose aumentam a chance das pessoas desenvolverem câncer de pulmão o qual tende a surgir em áreas de cicatrizes da tuberculose. Uma pessoa que teve um câncer de pulmão uma vez, tem maior chance de desenvolver um segundo câncer de pulmão em comparação a uma pessoa que nunca teve câncer. Parar de fumar após o diagnóstico de câncer de pulmão pode prevenir o desenvolvimento de um segundo tumor.

Sinais e sintomas comuns do câncer de pulmão incluem tosse que não cessa ou que mudou sua característica ou que piora com o tempo, dor torácica constante, escarro com sangue, falta de ar, chiado ou rouquidão, pneumonias ou infecções bronquiais de repetição, edema no pescoço e na face, perda de apetite ou perda de peso e fadiga.

A história médica, o tabagismo, a exposição a substancias ambientais e ocupacionais, a história familiar de câncer, o exame físico e uma radiografia do tórax fazem parte da avaliação inicial; outros exames de imagem são utilizados para melhor caracterização da doença.

A tomografia computadorizada é usualmente realizada para avaliar um nódulo pulmonar, uma massa pulmonar, linfonodos e o restante da cavidade torácica em detalhes. A tomografia computadorizada com emissão de pósitrons (PET-CT) é técnica relativamente recente de medicina nuclear que tem se mostrado muito útil na avaliação da lesão pulmonar e também de todo o corpo para a busca de qualquer evidência de que um tumor tenha se disseminado para linfonodos ou outras órgãos do corpo humano. A imagem obtida por ressonância magnética é parte da investigação de uma massa tumoral especialmente para avaliar o cérebro, vasos e ossos.

Para confirmar a presença de câncer, o médico deve examinar o tecido suspeito do pulmão. Uma biópsia – a remoção de um pequeno fragmento de tecido para exame sob um microscópio por um patologista – pode mostrar se uma pessoa tem câncer. Para obter este tecido, diversos exames podem ser realizados. Pela broncoscopia, um aparelho é introduzido através do nariz ou da boca para examinar a traqueia e os brônquios; através deste tubo, é possível coletar células ou pequenas amostras de tecido. Pela punção aspirativa ou biópsia percutânea, uma agulha é inserida através da parede do tórax até o tumor para remover uma amostra de tecido. Quando há derrame pleural de causa indeterminada a toracocentese usa uma agulha, pela qual é removida uma amostra de líquido pleural, que envolve os pulmões, para ver se encontra células cancerosas. A videomediastinoscopia é um procedimento minimamente invasivo onde uma pequena incisão de dois centímetros é realizada na base do pescoço para remover linfonodos, o que permite diagnosticar um câncer e indicar a extensão do tumor auxiliando na determinação do tratamento apropriado. Se ainda assim não se alcançou diagnóstico, a realização de uma videotoracoscopia minimamente invasiva permite que uma biópsia seja obtida com a realização de dois ou três pequenos orifícios na parede do tórax; uma câmera de video é inserida por uma das incisões e permite ao cirurgião a visão direta para a obtenção de amostras do tumor para exame. A toracotomia, uma operação convencional para abrir o tórax, é algumas vezes necessária para diagnosticar e orientar o tratamento do câncer de pulmão.

Se o diagnóstico de uma lesão pulmonar é câncer, é necessário estabelecer o estádio (ou extensão) da doença. O estadiamento é feito para saber se o câncer se espalhou e se isto aconteceu, para que parte do corpo. O câncer de pulmão frequentemente se espalha para o cérebro, ossos e fígado. O conhecimento do estádio da doença orienta o médico a planejar o tratamento do câncer de pulmão.

O tratamento do câncer de pulmão depende de vários fatores, incluindo tipo de câncer, o tamanho, localização e extensão do tumor e a saúde geral do doente. Diferentes opções para o tratamento do câncer de pulmão podem ser usados para controlar e/ou melhorar a qualidade de vida reduzindo os sintomas.

O tipo de operação para remover um câncer depende da localização do tumor e de seu tamanho no pulmão. A operação mais comum para o câncer de pulmão é a lobectomia que consiste na retirada de um dos lobos de um pulmão. No tratamento do câncer de pulmao,  a cirurgia torácica minimamente invasiva tem se firmado como a operação de escolha em portadores de doença em estádio inicial. Em situações bem definidas ressecções limitadas menos extensas podem ou devem ser realizadas; por outro lado as vezes é necessária uma pneumonectomia que é a retirada de um pulmão inteiro. Alguns tumores são irressecáveis (não podem ser removidos pela operação) devido ao tamanho ou localização e alguns doentes não podem ser operados por outras razões médicas.

Mesmo depois que um câncer do pulmão foi removido, as células cancerosas microscópicas podem ainda estar presentes em outros órgãos. O uso de medicamentos para matar as células cancerosas pelo corpo podem ser necessários para controlar o crescimento do câncer ou para aliviar os sintomas. A maioria dos medicamentos contra o câncer são administrados por injeção diretamente na veia ou por meio de um cateter, um tubo fino que é colocado numa veia de maior diâmetro e permanece lá o tempo que for necessário. Alguns medicamentos contra o câncer são administrados sob a forma de comprimidos.

Radioterapia é outra medida adjuvante para o tratamento do câncer de pulmão; envolve o uso de raios de alta energia para matar as células cancerosas. A radioterapia é dirigida para uma área limitada e afeta células cancerosas apenas naquela região. A radioterapia pode ser usada antes da operação para encolher um tumor, ou depois da operação para destruir quaisquer células cancerosas que permanecem na área tratada. Os médicos também usam a radioterapia, frequentemente combinada com a quimioterapia, como tratamento primário ao invés da operação. A radioterapia pode também ser usada para aliviar sintomas tais como a falta de ar. Os efeitos colaterais do tratamento do câncer de pulmão dependem do tipo de tratamento e podem ser diferentes para cada pessoa.

Os efeitos colaterais são frequentemente temporários. A operação para o tratamento do câncer de pulmão é uma operação de grande porte. Os doentes necessitam de fisioterapia e reabilitação pós-operatória para recuperar a capacidade pulmonar. Dor ou fraqueza no tórax, no braço e falta de ar são efeitos comuns passageiros da operação do câncer de pulmão. Os doentes podem precisar várias semanas ou meses para recuperar sua energia e força completamente. A quimioterapia afeta as células cancerosas e normais. Os efeitos colaterais dependem do tipo de droga e da dose. Os efeitos colaterais comuns incluem náuseas, vômitos, perda de cabelo, úlceras na boca e fadiga. A radioterapia, como a quimioterapia, afeta tanto as células normais como as cancerosas. Os efeitos colaterais dependem de parte do corpo que está sendo tratada e da dose do tratamento. Efeitos colaterais comuns são garganta dolorosa e seca; dificuldade de engolir, fadiga; mudanças na pele no local do tratamento; e perda do apetite.

O acompanhamento após o tratamento do câncer de pulmão é muito importante. Exames regulares permitem detectar alterações no estado de saúde e verificar se o câncer voltou ou um novo câncer surgiu de modo que possa ser tratado logo que possível.

 

 

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